Uma decisão do júri federal dos EUA determinou que o Google terá de compartilhar informações secretas de usuários com o FBI.
A juíza Susan Illston, de São Francisco, EUA, negou os pedidos da
companhia americana para modificar ou descartar 19 Cartas de Segurança
Nacional, nas quais a polícia norte-americana solicita dados eletrônicos
de usuários. A decisão é de 20 de maio, mas foi publicada apenas na
última sexta-feira, 31.
Em casos anteriores a mesma juíza havia declarado que tal tipo de
solicitação era anticonstitucional. Em março, Illston afirmou que as
Cartas “representam um perigo muito grande à liberdade, que está sendo
restringida desnecessariamente”.
Kurt Opsah, advogada da Electronic Frontier Foundation,
que milita pelos direitos cibernéticos, disse que estava “desapontada
com o fato de que a mesma jupiza que declarou as cartas
anticonstitucionais agora concorda com elas”.
FBI não precisa de autorização para ler e-mails privados
Toda a comunicação digital feita nos Estados Unidos tem de estar à
disposição de agências de investigação sem a necessidade de mandados -
incluindo e-mails, mensagens do Facebook, tweets... Pelo menos é esta a
posição do FBI e do Departamento de Justiça do país.
Documento interno obtido pela American Civil Liberties Union (ACLU)
revelara que o pensamento dos órgãos está em linha com o do governo da
Índia, que lançou um sistema de monitoramento para vigiar os passos
digitais da população (veja aqui).
O Guia de Investigações e Operações Domésticas (DIOG) do FBI, publicado
ano passado, afirma, por exemplo, que no caso dos e-mails os agentes só
precisam de mandados quando as mensagens tiverem menos de 180 dias
(disponível aqui, em PDF).
É o padrão estabelecido em âmbito federal pela Lei de Privacidade em
Comunicações Eletrônicas (ECPA), de 1986, que muitos críticos dizem
estar obsoleta, conforme noticiado pelo Mashable.
Em 2010, a Sexta Corte de Apelações, em Ohio, decidiu que o mandado é
necessário em qualquer situação. Tecnicamente, o parecer só vale nos
quatro estados abrangidos pelo Sexto Circuito, mas companhias como o Google usam-no para questionar autoridades sempre que lhes é pedido acesso a informações dos clientes.
O problema é que nos EUA, em termos legislativos, é praticamente cada
um por si. Em Nova York, uma procuradoria decidiu que é possível obter
informações sem mandado; outro procurador, este em Illinois, segue o
parecer de Ohio de que o mandado é necessário.
Você já aprendeu HTML, Flash, CSS,
edição de imagens, etc. Com base nisso, montou um site, colocou textos,
fotos e animações. Mas ainda falta uma etapa importantíssima: como
publicá-lo na internet? aqui está o blogleonardo.com Para te ajudar
nesta tarefa, este artigo mostrará a diferença entre domínio e
hospedagem, e o que você precisa saber na hora de escolher um lugar para
disponibilizar sua página ao mundo.
Hospedagem
Hospedagem (host, em inglês) é
um, basicamente, um serviço que você contrata para publicar o seu site.
Há planos de hospedagem pagos e gratuitos, mas o primeiro tipo
geralmente oferece muito mais recursos que o segundo. Hosts grátis, além
de limitados em vários aspectos, muitas vezes exibem banners ou barras
com publicidade, que inclusive podem desalinhar o layout do site ou
mesmo incomodar o visitante. Por isso, na maioria dos casos, o ideal é
contratar um serviço de hospedagem pago.
Na hora de escolher um plano, você deve analisar alguns detalhes:
Espaço em disco: sempre
escolha um plano que oferece mais espaço do que o seu site realmente
ocupa. Algumas ferramentas, como estatísticas e e-mail próprio, também
podem ocupar espaço, e sempre deve haver uma precaução caso o site mude
de layout ou aumente seu conteúdo;
Banda ou tráfego mensal:
além do espaço em disco que o site ocupa, alguns planos de hospedagem
também limitam o tráfego mensal do seu site. Quanto mais visitas um site
tiver, mais tráfego ele gerará, portanto é essencial adquirir um plano
com a banda “folgada”. Nunca se sabe quando pode haver um pico de
visitas no site, e é muito desagradável encontrar uma página fora do ar
porque o domínio já ultrapassou sua cota mensal de tráfego;
Redirecionamento: também chamado de alias,
o redirecionamento é uma “máscara” usada em endereços de site e
domínios para apontar para outro endereço. Por exemplo, eu posso criar o
e-mail exemplo@gmail.com – gratuito no Gmail – e no painel de controle da hospedagem do meu domínio configurar um redirecionamento deste endereço para exemplo@exemplo.net.
Assim, quando alguém me enviar uma mensagem no primeiro e-mail, eu
receberei no segundo sem gastar banda da minha hospedagem. Da mesma
maneira, você pode fazer o redirecionamento de domínios. Por exemplo, o
endereço fotos.blogleonardo.com pode apontar para radioimini.blogspot.com, um endereço fora do meu site. Você ainda pode apontar um subdomínio para um endereço dentro do próprio site, como imini.blogleonardo.com apontando para www.blogleonardo.com/imini;
Painel de Controle:
hoje em dia, a grande maioria dos planos de hospedagem oferece este
recurso. Por meio do painel de controle você tem acesso a todas as
ferramentas que a sua hospedagem oferece, desfrutando de todas elas sem
precisar pedir liberação ao suporte técnico. Acesso às estatísticas do
site, criação de contas de e-mail, gerenciamento de alias e instalação
de recursos adicionais são exemplos do que você pode encontrar nos
painéis de controle mais comuns do mercado;
Estatísticas:
embora existam ótimos serviços gratuitos de estatísticas, praticamente
todos os hosts do mercado oferecem este tipo de ferramenta. É muito
importante acompanhar com frequência informações como navegadores e
sistemas operacionais que os usuários usam (para poder adequar seu site
ao maior número de visitantes possível), palavras-chave utilizadas para chegar até ele e links em sites de terceiros que os visitantes clicaram para chegar até você.
Se você vai publicar um portfólio, site
de profissional liberal, serviço ou empresa, vale a pena investir em um
plano de hospedagem pago, para ter a segurança de ter o seu site o tempo
todo no ar (ou, pelo menos, quase o tempo todo), além de não estragar o
seu layout com banners e barras típicas de hospedagens grátis.
Mas, se você estiver publicando um site
pessoal ou para testes, a hospedagem gratuita pode ser uma boa opção. O
importante é conhecer outros sites que já usam o mesmo serviço, para
avaliar até que ponto as propagandas influenciam na visualização do
trabalho, e se o serviço não sai do ar constantemente. Ferramentas
adicionais como estatísticas, como já foi dito, podem ser encontradas
gratuitamente e instaladas à parte, caso o host não ofereça este
serviço.
Domínio
Em poucas palavras, o domínio é o nome
que compõe o endereço do site. Você vai adquirir, isto é, registrar um
domínio – final .com, .net, .org ou .com.br por exemplo – pelo período
mínimo de um ano. Se daqui a doze meses sua anuidade não for renovada, o
domínio ficará disponível para outra pessoa ou empresa registrar.
Também é possível contar com a opção de registrar ou renovar o domínio a
cada dois anos ou mais.
Para adquirir um domínio .com.br (ou
outros com terminação .br), você deve possuir um CNPJ (empresa) ou CPF
(pessoa física) e efetuar a compra pelo site registro.br.
Já para domínios internacionais,
isto é, que terminam em .com, .net, .org, .info e outros, você não
precisa de nenhum documento. Procure no Google por “registro de domínio”
ou informe-se com conhecidos quais empresas de registro de domínios
internacionais eles recomendam – com a instabilidade do dólar, vale a
pena pesquisar em várias empresas porque os preços variam bastante. O
blogleonardo.com recomenda a Super Domínios.
Depois de completar o registro do
domínio, você precisará de um endereço de DNS (Isso lhe é fornecido pela
empresa de hospedagem que você contratar). O DNS geralmente é fornecido
pela empresa de host. Posteriormente, basta você inserir essa
informação no painel do serviço onde você registrou o domínio. Se você
contratar hospedagem e registro de domínio pela mesma empresa,
normalmente a configuração de DNS será feita automaticamente.
Perceba que, da mesma maneira que é recomendável procurar uma hospedagem paga para sites profissionais,
o investimento em um endereço próprio – custando, em média, 30 reais
por ano – mostra preocupação e profissionalismo com o site que foi
desenvolvido. Domínios e redirecionamentos gratuitos muitas vezes dão a
impressão de que o conteúdo do site “não compensa os gastos” com um
endereço próprio, o que, muitas vezes, é imperdoável para empresas,
serviços ou profissionais que buscam se estabelecer no mercado.
Finalizando
Para finalizar, Eu recomendo duas de hospedagem e registro de domínios.
Se você registrar o seu domínio na empresa Super Domínio e não o hospedar com eles, basta solicitar que ele vam fazer a configuração dos seus DNS’s. Por exemplo, você registrou o seu domínio na Super Domínios e o hospedou na Fábio Host, a Empresa Fabio Host vai te fornecer os DNS’s. Você que agora já está com seus DNS’s em mãos, entra em contato com a Empresa Super Domínios
para eles possam configurar os DNS’s no seu domínio. só assim os
internautas poderam visualizar seu site no endereço que você registrou.
Quando você for assistir ao filme “Star Trek: Além da Escuridão”,
que estreia em junho nos cinemas brasileiros, repare em algumas cenas
que mostram alguns torpedos sendo colocados à bordo da espaçonave
Enterprise.
O cenário em que essas imagens foram gravadas é o National Ignition
Facility (NIF), localizado na Califórnia, uma das instituições com maior
prestígio na comunidade científica no mundo. O local abriga aquele que
hoje pode ser considerado o laser mais poderoso do planeta Terra.
Mais quente do que o Sol
Ao menos 60 vezes mais poderoso do que qualquer outro laser criado
até hoje, a novidade que está sendo desenvolvida pela equipe do NIF pode
ser considerada o maior instrumento óptico já construído no planeta.
Ele conta com cerca de 7,5 mil lâmpadas de flash e mais de 97
quilômetros de espelhos e fibras ópticas.
Para entrar em funcionamento, o dispositivo gera um pulso de fótons
de baixa energia, usando fibra óptica de laser. O pulso é subdivido em
192 feixes, que são amplificados e transportados pelos cabos de fibra
óptica. Em seguida, poderosas lâmpadas brancas de laser são utilizadas
para energizar folhas de neodímio impregnadas com uma camada de fosfato.
O resultado desse bombardeio energiza os elétrons nos átomos de
neodímio. Ao serem amplificados, os elétrons voltam ao seu estado
fundamental e, nesse processo, mais fótons são lançados. Os novos fótons
colidem uns com os outros, vibrando juntos e criando uma onda que viaja
em direção única.
Técnico realiza manutenção em equipamento do NIF. (Fonte da imagem: Reprodução/NIF)
Um dispositivo óptico que funciona como um espelho amplifica esse
processo, fazendo com que essas ondas viajem continuamente em um esquema
de vai e volta. O processo gera feixes de até 20 joules de energia. O
poder dos 192 feixes atinge o alvo, de 5 milímetros, viajando 1,5 mil
metros em 4,5 microssegundos, a uma temperatura de 100 milhões de graus
Celsius – o que equivale a mais de seis vezes a temperatura do núcleo do
Sol.
Geração de energia
“O NIF está se tornando tudo aquilo que os cientistas que o
conceberam planejaram há duas décadas”, explica Edward Moses, diretor do
NIF. Caso o instituto obtenha avanços em suas pesquisas, os benefícios
para a humanidade podem ser imensos, entre eles a geração de energia
partir da fusão a laser, uma energia completamente limpa.
Contudo, há quem defenda que o trabalho realizado no NIF é perigoso
demais – e caro pelos avanços conseguidos até agora. Mesmo entre os
pesquisadores do instituto não há consenso entre as metodologias
adotadas no trabalho e, embora a experimentação seja o único caminho
para novas descobertas nesse campo, alguns cientistas temem que a
tecnologia possa servir para a fabricação de poderosíssimas armas laser.
Em resumo: os resultados da fusão a laser podem transformar o mundo
em um lugar muito melhor ou, infelizmente, destruí-lo de uma vez por
todas. Resta saber de que maneira as pesquisas vão caminhar e de que
forma a tecnologia será utilizada caso seja possível chegar a resultados
positivos.
Com apenas 18 anos, a jovem americana Eesha Khare
conseguiu desenvolver um novo sistema de armazenamento de energia que
permite um recarregamento completo num período entre 20 e 30 segundos.
Eesha Khare desenvolveu sistema que pode revolucionar celulares
A tecnologia é importante porque pode abrir
caminho para a fabricação de celulares com baterias recarregáveis
rapidamente, evitando um dos maiores transtornos em relação a esses
aparelhos na atualidade.
Além de recarregar em segundos, o
sistema de armazenamento de Eesha Khare pode manter uma grande
quantidade de energia num pequeno espaço e conservar essa energia por um
longo período.
A invenção rendeu a Eesha o prêmio
de US$ 50 mil (cerca de R$ 100 mil) da Fundação para Jovens Cientistas
na Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel, realizada nos
Estados Unidos.
Durabilidade
O sistema tem uma durabilidade de 10 mil ciclos de carga e recarga, mais do que baterias normais conseguem suportar.
"A bateria do meu celular sempre morre", disse
Eesha a emissora de TV americana NBC, sobre a fonte de inspiração para a
sua invenção.
Ela explicou que foi justamente a evolução dos celulares a fizeram se interessar pela nanoquímica.
Até agora a tecnologia só foi testada para
acender uma lâmpada de LED, mas Aashe quer agora adaptá-la para uso em
celulares e outros aparelhos portáteis.
Outra possível aplicação futura seria em
veículos elétricos, nos quais a tecnologia garantiria a eles mais
autonomia entre reabastecimentos.
Astronautas que viajassem para Marte
poderiam ser bombardeados com muito mais radiação do que seu corpo
receberia durante um ano inteiro de tomografias semanais, disseram
especialistas nesta quinta-feira (30). De acordo com estudo, a
quantidade seria suficiente para aumentar o risco de desenvolvimento de
um câncer em cerca de 3%, mas a pesquisa alerta que ainda há muitas
incertezas acerca dos efeitos da exposição humana a ambiente espacial.
A Agência Espacial Americana (Nasa) tem o objetivo de enviar, em meados
de 2030, um voo tripulado para orbitar o planeta vermelho. Grifes de
vestuário, como Inspiration Mars, criada pelo engenheiro da Nasa que se
tornou turista espacial, Dennis Tito, já está recrutando voluntários.
Existem esforços prévios para aferir os riscos de radiação para os
futuros viajantes de Marte, mas a melhor estimativa vem da missão
espacial Curiosity, promovida pela Nasa. Em 2011, um sensor de radiação
foi inserido no interior de uma nave com o objetivo de fazer leituras da
radiação durante os oito meses e meio da cruzada ao planeta.
Astronauta Clay Anderson fora da Estação Espacial Internacional.
Pesquisadores estudam os efeitos da radiação do espaço no homem (Foto:
AP/Nasa)
Por meio dos dados colhidos pelo sensor, cientistas calcularam o quanto
viajantes espaciais se expõem à radiação durante uma rápida viagem de
seis meses em uma nave em condições similares. Ida e volta: cerca de 662
milisieverts (unidade que mede doses de radiação). Esse é um montante
considerável, tendo em vista que muitas agências espaciais
internacionais limitam a dosagem de radiação acumulada no espaço a 1.000
milisieverts. A estimativa não inclui o tempo gasto na superfície de
Marte.
O número é similar àquele conseguido por meio de uma tomografia de
corpo inteiro realizada a cada cinco ou seis dias, informa o líder da
pesquisa, Cary Zeitlin, do Southwest Research Institute, do Colorado.
A análise integra a edição de sexta-feira da revista Science. A
quantidade de radiação não parece mudar a não ser que seja possível
acelerar a viagem interplanetária, explicam os especialistas.
As doses de radiação em uma viagem a Marte seriam mais altas do que as
enfrentadas normalmente pelos membros da tripulação da Estação Especial
Internacional, algo em torno de 200 milisieverts por ano. Em contrapartida, as pessoas na Terra são comumente expostas a cerca de 3 milisieverts por ano.
A missão Curiosity voou por Marte durante o período de baixa a moderada
atividade solar. Desde que pousou no planeta vermelho, no ano passado, a
missão rastreou a radiação ao longo da superfície. A nave mostrou as
mais claras evidências de que já existiu água em Marte.
Com orientação, incentivo e liberdade na dose
certa, os pais podem ajudar as crianças e os adolescentes a lidar bem
com a tecnologia
NATÁLIA SPINACÉ
Em 1966, aos 11 anos, o jovem Bill Gates começou a dar trabalho a seus
pais. Ao contrário de seus colegas, para quem os computadores eram
instrumentos quase desconhecidos, ele demonstrava um interesse incomum
por software. Preocupados, seus pais o levaram a um terapeuta. Ele
aconselhou o casal a dar liberdade ao filho e a incentivar seu dom. A
decisão levou o garoto a se tornar uma figura fundamental na história da tecnologia
e um dos homens mais ricos do mundo. “Com a liberdade, ele foi capaz de
desenvolver aquele que se tornaria seu interesse de toda a vida”, disse
o pai, Bill Gates Sr.
Da mesma forma que os bons pais do passado incentivavam seus filhos a
criar o hábito da leitura para prepará-los para a vida, os bons pais de
hoje têm de criar filhos que naveguem com maestria pelo universo
digital.
Mais de 50 anos depois da primeira sessão de terapia de Bill Gates, o
dilema de sua família deixou de ser uma exceção. A tecnologia tornou-se
um elemento cotidiano da infância. Da mesma forma que os bons pais do
passado incentivavam seus filhos a criar o hábito da leitura para
prepará-los para a vida, os bons pais de hoje têm de criar filhos que
naveguem com maestria pelo universo digital. A tarefa é delicada. É
necessário lidar com obstáculos desconhecidos para os pais das gerações
anteriores, como o bullying virtual ou criminosos que usam a tecnologia
para se aproximar de vítimas. É difícil não ficar chocado com exemplos
como a canadense Amanda Todd, de 15 anos. Ela se enforcou em outubro do
ano passado, depois de passar três anos sendo perseguida na internet por um estranho que a convenceu a tirar fotos íntimas.
Diante de notícias como essa, muitos pais se veem no mesmo dilema
vivido pelo pai de Bill Gates. Dar liberdade total às crianças e aos
adolescentes na internet pode ajudá-los a lidar melhor com a tecnologia,
mas também os põe em perigo. Controlar e reprimir o interesse dos
filhos pelo universo digital pode prejudicar muito seu futuro num mundo
em que a tecnologia é tão importante – e ainda há o risco de podar, no
berço, um futuro talento para a computação.
Desde o nascimento de seu primeiro filho, a pesquisadora americana Lynn
Schofield Clark, doutora em novas mídias pela Universidade de Denver,
se dedica a estudar a melhor maneira de orientar o uso da tecnologia na
infância. Em 2009, quando seus filhos Jonathan (hoje com 11 anos) e
Allison (9) já tinham idade suficiente para se interessar por
computadores, ela criou um blog em que reunia estudos e dicas sobre a
melhor maneira de apresentar a tecnologia a uma criança e de controlar o
uso da internet e celulares. Os textos, reunidos no blog durante quatro
anos, resultaram no livro The parent app (O aplicativo dos pais).
Lynn afirma que a liberdade total que o jovem Gates teve para usar
computadores não é mais viável. Mas deve ser substituída por uma vida
digital compartilhada por toda a família. Segundo ela, pais e filhos
devem ter frequentes conversas sobre tecnologia, incluindo temas
polêmicos, como sites violentos ou pornográficos. “Não se trata de
largar uma criança por horas e horas na frente de um computador, fazendo
o que bem entende, mas de incentivá-la da maneira correta e de mostrar o
que aquilo pode ter de útil”, diz Lynn.
Em sua pesquisa, Lynn entrevistou 134 famílias para entender o
relacionamento de pais e filhos com a tecnologia. No lado dos pais,
observou se eles criavam limites para os filhos e se conversavam com as
crianças sobre o conteúdo acessado. No lado dos filhos, estudou a reação
aos estímulos tecnológicos e ao tipo de educação dada pelos pais.
Depois de analisar os resultados, concluiu que as famílias se dividiam
em quatro tipos possíveis em relação ao uso da tecnologia: restritiva,
compartilhada, ativa e de aprendizagem participativa.
Na família restritiva, os pais decidem o que pode ser acessado, o tempo
de uso dos equipamentos e os jogos adequados. Na compartilhada, os pais
usam a internet e jogam com os filhos, mas não conversam sobre o
conteúdo. Na ativa, há conversa e orientação, mas os pais não se
envolvem nas atividades dos filhos. Alertam sobre os perigos de um game
violento, mas não se interessam em jogar games
considerados adequados. Na família de aprendizagem participativa, pai e
mãe usam jogos, internet e aplicativos como uma maneira de ensinar e
aprender com os filhos. São os pais que usam a internet para ajudar o
filho a fazer pesquisas ou que sentam ao lado da criança enquanto ela
está no computador para aprender um novo jogo. Para Lynn, a aprendizagem
participativa é o modelo ideal para a família na era digital. “Esse
tipo de mediação é o único que proporciona uma troca real de informações
entre pais e filhos.” Nas famílias que interagem dessa maneira, as
crianças e os adolescentes aprendem mais com a tecnologia.
A psicopedagoga Patrícia Costa, de 41 anos, e o administrador Luis
Cláudio da Silva Costa, de 44, usaram esse tipo de interação para educar
o filho Rafael, de 14 anos. A paixão dele por tecnologia começou cedo.
“Desde os 6 anos, eu desmontava aparelhos para ver como funcionavam por
dentro”, diz. Seus pais nunca impuseram regras rígidas, mas fizeram
questão de entender o universo em que ele estava entrando. Patrícia, que
não usava nem e-mail, começou a pesquisar sobre aplicativos para poder
conversar com o filho e orientá-lo. “Senti que apenas vigiar e proibir
não seria suficiente”, diz. Aos 12 anos, Rafael programou sozinho seu
primeiro aplicativo para iPhone. O hobby adolescente virou um emprego
precoce. Hoje, ele divide seu tempo entre o colégio e o trabalho de
desenvolver programas. Também dá palestras sobre tecnologia para pessoas
com a idade de sua mãe.
Decisões como a de Patrícia dividem a opinião de pesquisadores. Não há
dúvida de que o diálogo e a orientação são fundamentais na relação entre
pais, filhos e o mundo digital. Mas muitos não recomendariam dar tanta
liberdade a uma criança de 6 anos. O pesquisador David Dutwin, da
Universidade da Pensilvânia, autor do livro Unplug your kids (Desconecte seus filhos),
afirma que a liberdade deve ser dada gradualmente, a partir do momento
em que os filhos chegam à pré-adolescência. Crianças de até 9 anos, diz
ele, precisam de um controle maior. Até essa idade, as regras e os
limites sobre o acesso à internet e aos jogos devem ser rigorosos. À
medida que a idade aumenta, a liberdade e a confiança devem ser maiores,
e as conversas sobre o assunto, mais explicativas. “É preciso
conversar, sem meias palavras, sobre os perigos da internet e dos
jogos”, afirma Dutwin. “Um pré-adolescente tem maturidade suficiente
para entender.”
Foi essa a estratégia usada pela psicóloga Luciana Cavalliere
Franceschi, de 49 anos, com o filho Pedro, de 16. Ele começou a
programar aos 8 anos. Aos 15, ficou famoso na internet por criar,
sozinho, um sistema para que o iPhone entendesse comandos de voz em
português. Hoje, ele trabalha para uma empresa de serviços digitais.
“Quando comecei a passar muito tempo no computador, minha mãe ficou
preocupada”, diz Pedro. “Ela não me podava com regras rígidas, mas me
incentivava a fazer outras coisas e a ter responsabilidade com todas as
minhas tarefas, não só as que envolviam o computador.” No início,
Luciana fez questão de estabelecer horários fixos para o filho dormir e
fazer o dever de casa. Também o incentivou a fazer natação e a jogar
futebol, para conviver com pessoas da mesma idade e se exercitar. O
computador ficava numa área comum da casa, para que a mãe pudesse ficar
de olho no que o filho fazia. O monitoramento constante permitiu que ela
acompanhasse o progresso e descobrisse o momento certo para relaxar os
limites. “Com o tempo, percebi que aquilo que ele fazia não era uma
brincadeira ou perda de tempo”, diz Luciana. “À medida que ele foi
crescendo, fui dando mais liberdade.”
Ficar atento ao grau de interesse que a criança ou o adolescente
demonstra é importante para garantir que o uso da tecnologia seja
estimulante. Se a habilidade com computadores for acima da média, os
pais devem ser ainda mais cautelosos para não frustrar o filho ou
impedir que seu talento se desenvolva. Jovens com alto desempenho
apresentam algumas características em comum: são extremamente
concentrados, conseguem aprender sozinhos, têm boa memória e costumam
desprezar aquilo que não lhes desperta interesse. “A preocupação nesses
casos é que, se não houver limite, o adolescente pode ficar bitolado,
passar o dia na frente do computador e não desenvolver outras
habilidades fundamentais”, afirma a psicóloga Cristina Colavite,
especialista no atendimento a jovens com altas habilidades. “É preciso
estimular a vida social e o interesse por outros assuntos, mas sem
deixar de incentivar essa habilidade específica, que pode render belos
frutos profissionais e pessoais.”
Ficar muito tempo diante do computador nem sempre significa descuidar
da vida social. “Foi por meio dos games que conheci pessoas de outros
países e aprendi a falar inglês”, afirma Anderson Ferminiano, de 18
anos. Incentivado por amigos virtuais, em pouco tempo começou a criar
games e, aos 14, avisou a mãe de que queria fazer um estágio numa
empresa de programação. “Fiquei assustada no começo, mas não podia dizer
não”, afirma a professora Mirian Ferminiano, de 46 anos, mãe de
Anderson. “Ele dava conta de todas as tarefas e tinha um interesse sério
por programação.” O estágio foi só o começo. Com a ajuda de Marcelo
Ballona, fundador do site Submarino, Anderson e um sócio criaram uma
rádio on-line. Seu próximo passo é embarcar para os Estados Unidos, para
estudar numa faculdade de negócios. “Pode ser que eu tenha perdido
outras coisas enquanto passava tanto tempo na frente do computador, mas
acho que valeu a pena”, diz Anderson.
Casos como o de Anderson mostram que, antes de criar qualquer regra
para o acesso à internet, os pais devem se preocupar em entender se o
que o filho faz durante tanto tempo diante do computador é algo
produtivo. “Para minha sorte, meus pais me deram muita liberdade. Podia
passar quanto tempo quisesse no computador, desde que não deixasse de
lado minhas outras obrigações”, afirma a empresária Bel Pesce, de 25
anos. “Às vezes, os pais deixam de perceber um talento maravilhoso por
ter regras preestabelecidas. É um desperdício.” Formada no Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das melhores universidades do
mundo, Bel trabalhou no Google e na Microsoft antes de criar sua
empresa. Em 2012, se tornou um guru para jovens ao lançar o livro A menina do vale,
um guia para empreendedores digitais. Seu último projeto é uma escola
que oferece cursos sobre habilidade interpessoal e empreendedorismo.
Se os computadores de casa já foram dominados pelas crianças, a próxima
fronteira é a pré-escola. Enquanto pesquisadores acreditam que a
tecnologia deve começar a ser usada na infância, com orientação e
estímulos adequados, há também os educadores que defendem restrições ao
uso de games, computadores e internet nos primeiros anos de vida. “Não
usamos recursos tecnológicos até os 5 anos de idade”, diz Edimara de
Lima, pedagoga especializada no método Montessori, que valoriza a
educação pelos sentidos e pelo movimento. “Não encontramos jogos
educativos que sejam relevantes até essa idade. A partir dela, começamos
a introduzir alguns programas.” Aparentemente, a abstinência digital
até os 5 anos não reduz as chances de que uma criança se torne um gênio
da tecnologia. Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, e Mark
Zuckerberg, criador do Facebook, foram educados em escolas Montessori.
Para o fundador da Atari, Nolan Bushnell, o primeiro homem a apostar no
talento de Steve Jobs e a contratá-lo, os games podem ser uma boa
maneira de introduzir a tecnologia na vida de crianças muito novas. Nas
escolas, diz ele, as máquinas são capazes de tornar o aprendizado mais
rápido, fácil e interessante. “Os games ensinam mais que qualquer outra
mídia já inventada”, diz Bushnell. “Isso é totalmente contrário ao
sistema passivo adotado nas salas de aula tradicionais, onde os alunos
perdem o interesse facilmente e produzem menos.” Um estudo feito com
1.000 crianças pela Escola de Medicina de Harvard mostrou que, quando
acessados com moderação, os games servem como incentivo à competição
saudável e estimulam a criatividade. “Nos games educativos, as
informações ficam dinâmicas e interativas, e o processo de ensinar e
aprender se torna mais próximo da realidade”, afirma Regina de Assis,
especialista em mídia e educação pela Universidade Harvard. Os
resultados mostram que, com orientação, incentivo e liberdade na medida
certa, os games e a internet podem ajudar na formação de qualquer
criança. Se além de tudo isso ela tiver muito talento e sorte, pode até
se tornar o próximo Bill Gates.
Mais de 150 pessoas usaram laptops com Wi-Fi na capital da Letônia. Evento ‘Working Everywhere’ mostra benefícios do trabalho flexível.
Pessoas
trabalham com seus notebooks ao ar livre durante o evento “Working
Everywhere” nesta sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia. (Foto:
Ints Kalnins/Reuters)
Mais de 150 pessoas se reuniram para trabalhar juntas, ao ar livre, com
seus notebooks conectados ao ar livre durante o evento “Working
Everywhere” (“trabalhando em todos os lugares”, na tradução livre) nesta
sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia.
Grupo
de mais de 150 pessoas se reuniu durante o evento “Working Everywhere”
nesta sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia. (Foto: Ints
Kalnins/Reuters)
Os ativistas participaram do evento usando laptops com acesso à
internet sem fio (Wi-Fi) para demostrar os benefícios do modelo de
trabalho flexível. A iniciativa ainda pode levar o grupo a entrar para o
Livro Guinness de Recordes com “o maior número de pessoas trabalhando
em um local específico for a do escritório”.