segunda-feira, 3 de junho de 2013

Google é obrigado a fornecer informações de usuários ao FBI

Uma decisão do júri federal dos EUA determinou que o Google terá de compartilhar informações secretas de usuários com o FBI.

A juíza Susan Illston, de São Francisco, EUA, negou os pedidos da companhia americana para modificar ou descartar 19 Cartas de Segurança Nacional, nas quais a polícia norte-americana solicita dados eletrônicos de usuários. A decisão é de 20 de maio, mas foi publicada apenas na última sexta-feira, 31.

Em casos anteriores a mesma juíza havia declarado que tal tipo de solicitação era anticonstitucional. Em março, Illston afirmou que as Cartas “representam um perigo muito grande à liberdade, que está sendo restringida desnecessariamente”.

Kurt Opsah, advogada da Electronic Frontier Foundation, que milita pelos direitos cibernéticos, disse que estava “desapontada com o fato de que a mesma jupiza que declarou as cartas anticonstitucionais agora concorda com elas”.

FBI não precisa de autorização para ler e-mails privados

Toda a comunicação digital feita nos Estados Unidos tem de estar à disposição de agências de investigação sem a necessidade de mandados - incluindo e-mails, mensagens do Facebook, tweets... Pelo menos é esta a posição do FBI e do Departamento de Justiça do país.

Documento interno obtido pela American Civil Liberties Union (ACLU) revelara que o pensamento dos órgãos está em linha com o do governo da Índia, que lançou um sistema de monitoramento para vigiar os passos digitais da população (veja aqui).

O Guia de Investigações e Operações Domésticas (DIOG) do FBI, publicado ano passado, afirma, por exemplo, que no caso dos e-mails os agentes só precisam de mandados quando as mensagens tiverem menos de 180 dias (disponível aqui, em PDF).

É o padrão estabelecido em âmbito federal pela Lei de Privacidade em Comunicações Eletrônicas (ECPA), de 1986, que muitos críticos dizem estar obsoleta, conforme noticiado pelo Mashable.

Em 2010, a Sexta Corte de Apelações, em Ohio, decidiu que o mandado é necessário em qualquer situação. Tecnicamente, o parecer só vale nos quatro estados abrangidos pelo Sexto Circuito, mas companhias como o Google usam-no para questionar autoridades sempre que lhes é pedido acesso a informações dos clientes.

O problema é que nos EUA, em termos legislativos, é praticamente cada um por si. Em Nova York, uma procuradoria decidiu que é possível obter informações sem mandado; outro procurador, este em Illinois, segue o parecer de Ohio de que o mandado é necessário.


Fonte: Olhar Digital

domingo, 2 de junho de 2013

O que é domínio e hospedagem de site?

Introdução

Você já aprendeu HTML, Flash, CSS, edição de imagens, etc. Com base nisso, montou um site, colocou textos, fotos e animações. Mas ainda falta uma etapa importantíssima: como publicá-lo na internet? aqui está o blogleonardo.com Para te ajudar nesta tarefa, este artigo mostrará a diferença entre domínio e hospedagem, e o que você precisa saber na hora de escolher um lugar para disponibilizar sua página ao mundo.

Hospedagem

 

Hospedagem (host, em inglês) é um, basicamente, um serviço que você contrata para publicar o seu site. Há planos de hospedagem pagos e gratuitos, mas o primeiro tipo geralmente oferece muito mais recursos que o segundo. Hosts grátis, além de limitados em vários aspectos, muitas vezes exibem banners ou barras com publicidade, que inclusive podem desalinhar o layout do site ou mesmo incomodar o visitante. Por isso, na maioria dos casos, o ideal é contratar um serviço de hospedagem pago.

Na hora de escolher um plano, você deve analisar alguns detalhes:

Espaço em disco: sempre escolha um plano que oferece mais espaço do que o seu site realmente ocupa. Algumas ferramentas, como estatísticas e e-mail próprio, também podem ocupar espaço, e sempre deve haver uma precaução caso o site mude de layout ou aumente seu conteúdo;

Banda ou tráfego mensal: além do espaço em disco que o site ocupa, alguns planos de hospedagem também limitam o tráfego mensal do seu site. Quanto mais visitas um site tiver, mais tráfego ele gerará, portanto é essencial adquirir um plano com a banda “folgada”. Nunca se sabe quando pode haver um pico de visitas no site, e é muito desagradável encontrar uma página fora do ar porque o domínio já ultrapassou sua cota mensal de tráfego;

Redirecionamento: também chamado de alias, o redirecionamento é uma “máscara” usada em endereços de site e domínios para apontar para outro endereço. Por exemplo, eu posso criar o e-mail exemplo@gmail.com – gratuito no Gmail – e no painel de controle da hospedagem do meu domínio configurar um redirecionamento deste endereço para exemplo@exemplo.net. Assim, quando alguém me enviar uma mensagem no primeiro e-mail, eu receberei no segundo sem gastar banda da minha hospedagem. Da mesma maneira, você pode fazer o redirecionamento de domínios. Por exemplo, o endereço fotos.blogleonardo.com pode apontar para radioimini.blogspot.com, um endereço fora do meu site. Você ainda pode apontar um subdomínio para um endereço dentro do próprio site, como imini.blogleonardo.com apontando para www.blogleonardo.com/imini;

Painel de Controle: hoje em dia, a grande maioria dos planos de hospedagem oferece este recurso. Por meio do painel de controle você tem acesso a todas as ferramentas que a sua hospedagem oferece, desfrutando de todas elas sem precisar pedir liberação ao suporte técnico. Acesso às estatísticas do site, criação de contas de e-mail, gerenciamento de alias e instalação de recursos adicionais são exemplos do que você pode encontrar nos painéis de controle mais comuns do mercado;

Estatísticas: embora existam ótimos serviços gratuitos de estatísticas, praticamente todos os hosts do mercado oferecem este tipo de ferramenta. É muito importante acompanhar com frequência informações como navegadores e sistemas operacionais que os usuários usam (para poder adequar seu site ao maior número de visitantes possível), palavras-chave utilizadas para chegar até ele e links em sites de terceiros que os visitantes clicaram para chegar até você.

Se você vai publicar um portfólio, site de profissional liberal, serviço ou empresa, vale a pena investir em um plano de hospedagem pago, para ter a segurança de ter o seu site o tempo todo no ar (ou, pelo menos, quase o tempo todo), além de não estragar o seu layout com banners e barras típicas de hospedagens grátis.

Mas, se você estiver publicando um site pessoal ou para testes, a hospedagem gratuita pode ser uma boa opção. O importante é conhecer outros sites que já usam o mesmo serviço, para avaliar até que ponto as propagandas influenciam na visualização do trabalho, e se o serviço não sai do ar constantemente. Ferramentas adicionais como estatísticas, como já foi dito, podem ser encontradas gratuitamente e instaladas à parte, caso o host não ofereça este serviço.

Domínio

 

Em poucas palavras, o domínio é o nome que compõe o endereço do site. Você vai adquirir, isto é, registrar um domínio – final .com, .net, .org ou .com.br por exemplo – pelo período mínimo de um ano. Se daqui a doze meses sua anuidade não for renovada, o domínio ficará disponível para outra pessoa ou empresa registrar. Também é possível contar com a opção de registrar ou renovar o domínio a cada dois anos ou mais.

Para adquirir um domínio .com.br (ou outros com terminação .br), você deve possuir um CNPJ (empresa) ou CPF (pessoa física) e efetuar a compra pelo site registro.br.

Já para domínios internacionais, isto é, que terminam em .com, .net, .org, .info e outros, você não precisa de nenhum documento. Procure no Google por “registro de domínio” ou informe-se com conhecidos quais empresas de registro de domínios internacionais eles recomendam – com a instabilidade do dólar, vale a pena pesquisar em várias empresas porque os preços variam bastante. O blogleonardo.com recomenda a Super Domínios.

Depois de completar o registro do domínio, você precisará de um endereço de DNS (Isso lhe é fornecido pela empresa de hospedagem que você contratar). O DNS geralmente é fornecido pela empresa de host. Posteriormente, basta você inserir essa informação no painel do serviço onde você registrou o domínio. Se você contratar hospedagem e registro de domínio pela mesma empresa, normalmente a configuração de DNS será feita automaticamente.

Perceba que, da mesma maneira que é recomendável procurar uma hospedagem paga para sites profissionais, o investimento em um endereço próprio – custando, em média, 30  reais por ano – mostra preocupação e profissionalismo com o site que foi desenvolvido. Domínios e redirecionamentos gratuitos muitas vezes dão a impressão de que o conteúdo do site “não compensa os gastos” com um endereço próprio, o que, muitas vezes, é imperdoável para empresas, serviços ou profissionais que buscam se estabelecer no mercado.

Finalizando

 

Para finalizar, Eu recomendo duas de hospedagem e registro de domínios.
Se você registrar o seu domínio na empresa Super Domínio e não o hospedar com eles, basta solicitar que ele vam fazer a configuração dos seus DNS’s. Por exemplo, você registrou o seu domínio na Super Domínios e o hospedou na Fábio Host, a Empresa Fabio Host vai te fornecer os DNS’s. Você que agora já está com seus DNS’s em mãos, entra em contato com a Empresa Super Domínios para eles possam configurar os DNS’s no seu domínio. só assim os internautas poderam visualizar seu site no endereço que você registrou.


Fonte: Blogleornado

O laser mais poderoso da Terra


Quando você for assistir ao filme “Star Trek: Além da Escuridão”, que estreia em junho nos cinemas brasileiros, repare em algumas cenas que mostram alguns torpedos sendo colocados à bordo da espaçonave Enterprise.

O cenário em que essas imagens foram gravadas é o National Ignition Facility (NIF), localizado na Califórnia, uma das instituições com maior prestígio na comunidade científica no mundo. O local abriga aquele que hoje pode ser considerado o laser mais poderoso do planeta Terra.

Mais quente do que o Sol

 

Ao menos 60 vezes mais poderoso do que qualquer outro laser criado até hoje, a novidade que está sendo desenvolvida pela equipe do NIF pode ser considerada o maior instrumento óptico já construído no planeta. Ele conta com cerca de 7,5 mil lâmpadas de flash e mais de 97 quilômetros de espelhos e fibras ópticas.

Conheça o laser mais poderoso da Terra 
Área interna do NIF. (Fonte da imagem: Reprodução/NIF)

Para entrar em funcionamento, o dispositivo gera um pulso de fótons de baixa energia, usando fibra óptica de laser. O pulso é subdivido em 192 feixes, que são amplificados e transportados pelos cabos de fibra óptica. Em seguida, poderosas lâmpadas brancas de laser são utilizadas para energizar folhas de neodímio impregnadas com uma camada de fosfato.

O resultado desse bombardeio energiza os elétrons nos átomos de neodímio. Ao serem amplificados, os elétrons voltam ao seu estado fundamental e, nesse processo, mais fótons são lançados. Os novos fótons colidem uns com os outros, vibrando juntos e criando uma onda que viaja em direção única.

Conheça o laser mais poderoso da Terra 
Técnico realiza manutenção em equipamento do NIF. (Fonte da imagem: Reprodução/NIF)

Um dispositivo óptico que funciona como um espelho amplifica esse processo, fazendo com que essas ondas viajem continuamente em um esquema de vai e volta. O processo gera feixes de até 20 joules de energia. O poder dos 192 feixes atinge o alvo, de 5 milímetros, viajando 1,5 mil metros em 4,5 microssegundos, a uma temperatura de 100 milhões de graus Celsius – o que equivale a mais de seis vezes a temperatura do núcleo do Sol. 

Geração de energia 

 

“O NIF está se tornando tudo aquilo que os cientistas que o conceberam planejaram há duas décadas”, explica Edward Moses, diretor do NIF. Caso o instituto obtenha avanços em suas pesquisas, os benefícios para a humanidade podem ser imensos, entre eles a geração de energia partir da fusão a laser, uma energia completamente limpa.



Contudo, há quem defenda que o trabalho realizado no NIF é perigoso demais – e caro pelos avanços conseguidos até agora. Mesmo entre os pesquisadores do instituto não há consenso entre as metodologias adotadas no trabalho e, embora a experimentação seja o único caminho para novas descobertas nesse campo, alguns cientistas temem que a tecnologia possa servir para a fabricação de poderosíssimas armas laser. 

Em resumo: os resultados da fusão a laser podem transformar o mundo em um lugar muito melhor ou, infelizmente, destruí-lo de uma vez por todas. Resta saber de que maneira as pesquisas vão caminhar e de que forma a tecnologia será utilizada caso seja possível chegar a resultados positivos.

Americana de 18 anos cria bateria que recarrega em 20 segundos

Com apenas 18 anos, a jovem americana Eesha Khare conseguiu desenvolver um novo sistema de armazenamento de energia que permite um recarregamento completo num período entre 20 e 30 segundos.


Eesha Khare desenvolveu sistema que pode revolucionar celulares

A tecnologia é importante porque pode abrir caminho para a fabricação de celulares com baterias recarregáveis rapidamente, evitando um dos maiores transtornos em relação a esses aparelhos na atualidade.
Além de recarregar em segundos, o sistema de armazenamento de Eesha Khare pode manter uma grande quantidade de energia num pequeno espaço e conservar essa energia por um longo período.

A invenção rendeu a Eesha o prêmio de US$ 50 mil (cerca de R$ 100 mil) da Fundação para Jovens Cientistas na Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel, realizada nos Estados Unidos.

Durabilidade

 

O sistema tem uma durabilidade de 10 mil ciclos de carga e recarga, mais do que baterias normais conseguem suportar.
"A bateria do meu celular sempre morre", disse Eesha a emissora de TV americana NBC, sobre a fonte de inspiração para a sua invenção.

Ela explicou que foi justamente a evolução dos celulares a fizeram se interessar pela nanoquímica.
Até agora a tecnologia só foi testada para acender uma lâmpada de LED, mas Aashe quer agora adaptá-la para uso em celulares e outros aparelhos portáteis.

Outra possível aplicação futura seria em veículos elétricos, nos quais a tecnologia garantiria a eles mais autonomia entre reabastecimentos.


Fonte: BBC Brasil

Radiação recebida em viagem a Marte aumenta risco de câncer

Astronautas que viajassem para Marte poderiam ser bombardeados com muito mais radiação do que seu corpo receberia durante um ano inteiro de tomografias semanais, disseram especialistas nesta quinta-feira (30). De acordo com estudo, a quantidade seria suficiente para aumentar o risco de desenvolvimento de um câncer em cerca de 3%, mas a pesquisa alerta que ainda há muitas incertezas acerca dos efeitos da exposição humana a ambiente espacial. 
 
A Agência Espacial Americana (Nasa) tem o objetivo de enviar, em meados de 2030, um voo tripulado para orbitar o planeta vermelho. Grifes de vestuário, como Inspiration Mars, criada pelo engenheiro da Nasa que se tornou turista espacial, Dennis Tito, já está recrutando voluntários.
Existem esforços prévios para aferir os riscos de radiação para os futuros viajantes de Marte, mas a melhor estimativa vem da missão espacial Curiosity, promovida pela Nasa. Em 2011, um sensor de radiação foi inserido no interior de uma nave com o objetivo de fazer leituras da radiação durante os oito meses e meio da cruzada ao planeta.
 Astronauta Clay Anderson fora da Estação Espacial Internacional. Pesquisadores estudam os efeitos da radiação do espaço no homem (Foto: AP/Nasa)

Por meio dos dados colhidos pelo sensor, cientistas calcularam o quanto viajantes espaciais se expõem à radiação durante uma rápida viagem de seis meses em uma nave em condições similares. Ida e volta: cerca de 662 milisieverts (unidade que mede doses de radiação). Esse é um montante considerável, tendo em vista que muitas agências espaciais internacionais limitam a dosagem de radiação acumulada no espaço a 1.000 milisieverts. A estimativa não inclui o tempo gasto na superfície de Marte.
O número é similar àquele conseguido por meio de uma tomografia de corpo inteiro realizada a cada cinco ou seis dias, informa o líder da pesquisa, Cary Zeitlin, do Southwest Research Institute, do Colorado.
A análise integra a edição de sexta-feira da revista Science. A quantidade de radiação não parece mudar a não ser que seja possível acelerar a viagem interplanetária, explicam os especialistas.

As doses de radiação em uma viagem a Marte seriam mais altas do que as enfrentadas normalmente pelos membros da tripulação da Estação Especial Internacional, algo em torno de 200 milisieverts por ano. Em contrapartida, as pessoas na Terra são comumente expostas a cerca de 3 milisieverts por ano.

A missão Curiosity voou por Marte durante o período de baixa a moderada atividade solar. Desde que pousou no planeta vermelho, no ano passado, a missão rastreou a radiação ao longo da superfície. A nave mostrou as mais claras evidências de que já existiu água em Marte.


Fonte: Revista Época

Como criar um nerd

Com orientação, incentivo e liberdade na dose certa, os pais podem ajudar as crianças e os adolescentes a lidar bem com a tecnologia

NATÁLIA SPINACÉ

CARA NOVA Uma adolescente e a tela inicial de seu iPad. Para esta geração, aprender a lidar bem com  o mundo digital  é fundamental para o sucesso  na vida adulta (Foto: Marcos Lopes/ÉPOCA)

Em 1966, aos 11 anos, o jovem Bill Gates começou a dar trabalho a seus pais. Ao contrário de seus colegas, para quem os computadores eram instrumentos quase desconhecidos, ele demonstrava um interesse incomum por software. Preocupados, seus pais o levaram a um terapeuta. Ele aconselhou o casal a dar liberdade ao filho e a incentivar seu dom. A decisão levou o garoto a se tornar uma figura fundamental na história da tecnologia e um dos homens mais ricos do mundo. “Com a liberdade, ele foi capaz de desenvolver aquele que se tornaria seu interesse de toda a vida”, disse o pai, Bill Gates Sr.


Da mesma forma que os bons pais do passado incentivavam seus filhos a criar o hábito da leitura para prepará-los para a vida, os bons pais de hoje têm de criar filhos que naveguem com maestria pelo universo digital.  

Mais de 50 anos depois da primeira sessão de terapia de Bill Gates, o dilema de sua família deixou de ser uma exceção. A tecnologia tornou-se um elemento cotidiano da infância. Da mesma forma que os bons pais do passado incentivavam seus filhos a criar o hábito da leitura para prepará-los para a vida, os bons pais de hoje têm de criar filhos que naveguem com maestria pelo universo digital. A tarefa é delicada. É necessário lidar com obstáculos desconhecidos para os pais das gerações anteriores, como o bullying virtual ou criminosos que usam a tecnologia para se aproximar de vítimas. É difícil não ficar chocado com exemplos como a canadense Amanda Todd, de 15 anos. Ela se enforcou em outubro do ano passado, depois de passar três anos sendo perseguida na internet por um estranho que a convenceu a tirar fotos íntimas.

Diante de notícias como essa, muitos pais se veem no mesmo dilema vivido pelo pai de Bill Gates. Dar liberdade total às crianças e aos adolescentes na internet pode ajudá-los a lidar melhor com a tecnologia, mas também os põe em perigo. Controlar e reprimir o interesse dos filhos pelo universo digital pode prejudicar muito seu futuro num mundo em que a tecnologia é tão importante – e ainda há o risco de podar, no berço, um futuro talento para a computação.

Desde o nascimento de seu primeiro filho, a pesquisadora americana Lynn Schofield Clark, doutora em novas mídias pela Universidade de Denver, se dedica a estudar a melhor maneira de orientar o uso da tecnologia na infância. Em 2009, quando seus filhos Jonathan (hoje com 11 anos) e Allison (9) já tinham idade suficiente para se interessar por computadores, ela criou um blog em que reunia estudos e dicas sobre a melhor maneira de apresentar a tecnologia a uma criança e de controlar o uso da internet e celulares. Os textos, reunidos no blog durante quatro anos, resultaram no livro The parent app (O aplicativo dos pais). Lynn afirma que a liberdade total que o jovem Gates teve para usar computadores não é mais viável. Mas deve ser substituída por uma vida digital compartilhada por toda a família. Segundo ela, pais e filhos devem ter frequentes conversas sobre tecnologia, incluindo temas polêmicos, como sites violentos ou pornográficos. “Não se trata de largar uma criança por horas e horas na frente de um computador, fazendo o que bem entende, mas de incentivá-la da maneira correta e de mostrar o que aquilo pode ter de útil”, diz Lynn.

Até 9 anos (Foto: Guillermo Giansanti/ÉPOCA)

Em sua pesquisa, Lynn entrevistou 134 famílias para entender o relacionamento de pais e filhos com a tecnologia. No lado dos pais, observou se eles criavam limites para os filhos e se conversavam com as crianças sobre o conteúdo acessado. No lado dos filhos, estudou a reação aos estímulos tecnológicos e ao tipo de educação dada pelos pais. Depois de analisar os resultados, concluiu que as famílias se dividiam em quatro tipos possíveis em relação ao uso da tecnologia: restritiva, compartilhada, ativa e de aprendizagem participativa.

Na família restritiva, os pais decidem o que pode ser acessado, o tempo de uso dos equipamentos e os jogos adequados. Na compartilhada, os pais usam a internet e jogam com os filhos, mas não conversam sobre o conteúdo. Na ativa, há conversa e orientação, mas os pais não se envolvem nas atividades dos filhos. Alertam sobre os perigos de um game violento, mas não se interessam em jogar games considerados adequados. Na família de aprendizagem participativa, pai e mãe usam jogos, internet e aplicativos como uma maneira de ensinar e aprender com os filhos. São os pais que usam a internet para ajudar o filho a fazer pesquisas ou que sentam ao lado da criança enquanto ela está no computador para aprender um novo jogo. Para Lynn, a aprendizagem participativa é o modelo ideal para a família na era digital. “Esse tipo de mediação é o único que proporciona uma troca real de informações entre pais e filhos.” Nas famílias que interagem dessa maneira, as crianças e os adolescentes aprendem mais com a tecnologia.

A psicopedagoga Patrícia Costa, de 41 anos, e o administrador Luis Cláudio da Silva Costa, de 44, usaram esse tipo de interação para educar o filho Rafael, de 14 anos. A paixão dele por tecnologia começou cedo. “Desde os 6 anos, eu desmontava aparelhos para ver como funcionavam por dentro”, diz. Seus pais nunca impuseram regras rígidas, mas fizeram questão de entender o universo em que ele estava entrando. Patrícia, que não usava nem e-mail, começou a pesquisar sobre aplicativos para poder conversar com o filho e orientá-lo. “Senti que apenas vigiar e proibir não seria suficiente”, diz. Aos 12 anos, Rafael programou sozinho seu primeiro aplicativo para iPhone. O hobby adolescente virou um emprego precoce. Hoje, ele divide seu tempo entre o colégio e o trabalho de desenvolver programas. Também dá palestras sobre tecnologia para pessoas com a idade de sua mãe.

Decisões como a de Patrícia dividem a opinião de pesquisadores. Não há dúvida de que o diálogo e a orientação são fundamentais na relação entre pais, filhos e o mundo digital. Mas muitos não recomendariam dar tanta liberdade a uma criança de 6 anos. O pesquisador David Dutwin, da Universidade da Pensilvânia, autor do livro Unplug your kids (Desconecte seus filhos), afirma que a liberdade deve ser dada gradualmente, a partir do momento em que os filhos chegam à pré-adolescência. Crianças de até 9 anos, diz ele, precisam de um controle maior. Até essa idade, as regras e os limites sobre o acesso à internet e aos jogos devem ser rigorosos. À medida que a idade aumenta, a liberdade e a confiança devem ser maiores, e as conversas sobre o assunto, mais explicativas. “É preciso conversar, sem meias palavras, sobre os perigos da internet e dos jogos”, afirma Dutwin. “Um pré-adolescente tem maturidade suficiente para entender.”

Dos 10 aos 13 anos (Foto: Igo Estrela/ÉPOCA)
Foi essa a estratégia usada pela psicóloga Luciana Cavalliere Franceschi, de 49 anos, com o filho Pedro, de 16. Ele começou a programar aos 8 anos. Aos 15, ficou famoso na internet por criar, sozinho, um sistema para que o iPhone entendesse comandos de voz em português. Hoje, ele trabalha para uma empresa de serviços digitais. “Quando comecei a passar muito tempo no computador, minha mãe ficou preocupada”, diz Pedro. “Ela não me podava com regras rígidas, mas me incentivava a fazer outras coisas e a ter responsabilidade com todas as minhas tarefas, não só as que envolviam o computador.” No início, Luciana fez questão de estabelecer horários fixos para o filho dormir e fazer o dever de casa. Também o incentivou a fazer natação e a jogar futebol, para conviver com pessoas da mesma idade e se exercitar. O computador ficava numa área comum da casa, para que a mãe pudesse ficar de olho no que o filho fazia. O monitoramento constante permitiu que ela acompanhasse o progresso e descobrisse o momento certo para relaxar os limites. “Com o tempo, percebi que aquilo que ele fazia não era uma brincadeira ou perda de tempo”, diz Luciana. “À medida que ele foi crescendo, fui dando mais liberdade.”

Ficar atento ao grau de interesse que a criança ou o adolescente demonstra é importante para garantir que o uso da tecnologia seja estimulante. Se a habilidade com computadores for acima da média, os pais devem ser ainda mais cautelosos para não frustrar o filho ou impedir que seu talento se desenvolva. Jovens com alto desempenho apresentam algumas características em comum: são extremamente concentrados, conseguem aprender sozinhos, têm boa memória e costumam desprezar aquilo que não lhes desperta interesse. “A preocupação nesses casos é que, se não houver limite, o adolescente pode ficar bitolado, passar o dia na frente do computador e não desenvolver outras habilidades fundamentais”, afirma a psicóloga Cristina Colavite, especialista no atendimento a jovens com altas habilidades. “É preciso estimular a vida social e o interesse por outros assuntos, mas sem deixar de incentivar essa habilidade específica, que pode render belos frutos profissionais e pessoais.”

Ficar muito tempo diante do computador nem sempre significa descuidar da vida social. “Foi por meio dos games que conheci pessoas de outros países e aprendi a falar inglês”, afirma Anderson Ferminiano, de 18 anos. Incentivado por amigos virtuais, em pouco tempo começou a criar games e, aos 14, avisou a mãe de que queria fazer um estágio numa empresa de programação. “Fiquei assustada no começo, mas não podia dizer não”, afirma a professora Mirian Ferminiano, de 46 anos, mãe de Anderson. “Ele dava conta de todas as tarefas e tinha um interesse sério por programação.” O estágio foi só o começo. Com a ajuda de Marcelo Ballona, fundador do site Submarino, Anderson e um sócio criaram uma rádio on-line. Seu próximo passo é embarcar para os Estados Unidos, para estudar numa faculdade de negócios. “Pode ser que eu tenha perdido outras coisas enquanto passava tanto tempo na frente do computador, mas acho que valeu a pena”, diz Anderson.

 Casos como o de Anderson mostram que, antes de criar qualquer regra para o acesso à internet, os pais devem se preocupar em entender se o que o filho faz durante tanto tempo diante do computador é algo produtivo. “Para minha sorte, meus pais me deram muita liberdade. Podia passar quanto tempo quisesse no computador, desde que não deixasse de lado minhas outras obrigações”, afirma a empresária Bel Pesce, de 25 anos. “Às vezes, os pais deixam de perceber um talento maravilhoso por ter regras preestabelecidas. É um desperdício.” Formada no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das melhores universidades do mundo, Bel trabalhou no Google e na Microsoft antes de criar sua empresa. Em 2012, se tornou um guru para jovens ao lançar o livro A menina do vale, um guia para empreendedores digitais. Seu último projeto é uma escola que oferece cursos sobre habilidade interpessoal e empreendedorismo.

A partir dos 14 anos (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
Se os computadores de casa já foram dominados pelas crianças, a próxima fronteira é a pré-escola. Enquanto pesquisadores acreditam que a tecnologia deve começar a ser usada na infância, com orientação e estímulos adequados, há também os educadores que defendem restrições ao uso de games, computadores e internet nos primeiros anos de vida. “Não usamos recursos tecnológicos até os 5 anos de idade”, diz Edimara de Lima, pedagoga especializada no método Montessori, que valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento. “Não encontramos jogos educativos que sejam relevantes até essa idade. A partir dela, começamos a introduzir alguns programas.” Aparentemente, a abstinência digital até os 5 anos não reduz as chances de que uma criança se torne um gênio da tecnologia. Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, e Mark Zuckerberg, criador do Facebook, foram educados em escolas Montessori.

Para o fundador da Atari, Nolan Bushnell, o primeiro homem a apostar no talento de Steve Jobs e a contratá-lo, os games podem ser uma boa maneira de introduzir a tecnologia na vida de crianças muito novas. Nas escolas, diz ele, as máquinas são capazes de tornar o aprendizado mais rápido, fácil e interessante. “Os games ensinam mais que qualquer outra mídia já inventada”, diz Bushnell. “Isso é totalmente contrário ao sistema passivo adotado nas salas de aula tradicionais, onde os alunos perdem o interesse facilmente e produzem menos.” Um estudo feito com 1.000 crianças pela Escola de Medicina de Harvard mostrou que, quando acessados com moderação, os games servem como incentivo à competição saudável e estimulam a criatividade. “Nos games educativos, as informações ficam dinâmicas e interativas, e o processo de ensinar e aprender se torna mais próximo da realidade”, afirma Regina de Assis, especialista em mídia e educação pela Universidade Harvard. Os resultados mostram que, com orientação, incentivo e liberdade na medida certa, os games e a internet podem ajudar na formação de qualquer criança. Se além de tudo isso ela tiver muito talento e sorte, pode até se tornar o próximo Bill Gates.


Fonte: Revista Epoca

sábado, 1 de junho de 2013

Ativistas levam notebooks ao ar livre e defendem trabalho fora do escritório

Mais de 150 pessoas usaram laptops com Wi-Fi na capital da Letônia.
Evento ‘Working Everywhere’ mostra benefícios do trabalho flexível.




Pessoas usam seus notebooks ao ar livre durante o evento “Working Everywhere” (“trabalhando em todos os lugares”, na tradução livre) nesta sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia. (Foto: Ints Kalnins/Reuters)Pessoas trabalham com seus notebooks ao ar livre durante o evento “Working Everywhere” nesta sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia. (Foto: Ints Kalnins/Reuters)

Mais de 150 pessoas se reuniram para trabalhar juntas, ao ar livre, com seus notebooks conectados ao ar livre durante o evento “Working Everywhere” (“trabalhando em todos os lugares”, na tradução livre) nesta sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia.

Pessoas trabalham com seus notebooks ao ar livre durante o evento “Working Everywhere” nesta sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia. (Foto: Ints Kalnins/Reuters)Grupo de mais de 150 pessoas se reuniu durante o evento “Working Everywhere” nesta sexta-feira (31), em Riga, capital da Letônia. (Foto: Ints Kalnins/Reuters)

Os ativistas participaram do evento usando laptops com acesso à internet sem fio (Wi-Fi) para demostrar os benefícios do modelo de trabalho flexível. A iniciativa ainda pode levar o grupo a entrar para o Livro Guinness de Recordes com “o maior número de pessoas trabalhando em um local específico for a do escritório”.
Fonte: G1